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Golpe do PIX: como reverter

Atualizado em 2026 · Leitura de 7 minutos · Direito do Consumidor e Bancário

Celular sobre a mesa de um escritório de advocacia

O PIX é irrevogável por natureza: uma vez concluída, a transferência cai na conta do recebedor em segundos. Isso não significa, porém, que o dinheiro esteja perdido. Existe um caminho administrativo — o MED (Mecanismo Especial de Devolução) — e um caminho judicial, que podem ser usados em conjunto.

1. As primeiras horas são decisivas

A chance de recuperação cai drasticamente depois que o golpista movimenta o valor. Faça, na mesma hora:

  • Abra o aplicativo do banco e registre a contestação da transação;
  • Ligue para a central e peça o protocolo de abertura do MED;
  • Registre Boletim de Ocorrência (na Delegacia Eletrônica do Estado do Rio de Janeiro é possível fazer online);
  • Guarde prints das conversas, do comprovante e do perfil usado pelo golpista.

2. O que é o MED e quais são os prazos

Criado pelo Banco Central, o MED permite que a instituição do pagador solicite o bloqueio e a devolução dos valores na conta destino quando há indício de fraude ou falha operacional.

  1. A solicitação deve ser feita em até 80 dias da transação;
  2. O banco destinatário tem até 7 dias corridos para analisar e bloquear o saldo;
  3. Havendo saldo, a devolução ocorre em até 96 horas após a conclusão da análise.

Se o golpista já esvaziou a conta, o MED devolve apenas o que restou — daí a importância da rapidez.

3. Quando o banco tem responsabilidade

A Súmula 479 do STJ é clara: as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fraudes praticadas por terceiros. Na prática, há forte chance de responsabilização quando:

  • houve invasão de conta, clonagem de aplicativo ou troca de chave PIX sem aviso;
  • o banco liberou aumento de limite ou empréstimo durante o golpe, fora do padrão de uso do cliente;
  • o sistema antifraude não bloqueou movimentações atípicas de madrugada;
  • a conta destino era “laranja”, aberta com documentação frágil.

E no golpe por engenharia social?

Quando a vítima é induzida a transferir voluntariamente (falso funcionário do banco, falso parente no WhatsApp, falso anúncio), a discussão é mais técnica. Ainda assim, cabe ação de reparação contra o titular da conta que recebeu os valores, por enriquecimento sem causa, além de pedido de tutela de urgência para bloqueio.

4. O caminho judicial

Sem solução administrativa, é possível ingressar com ação — inclusive no Juizado Especial Cível para valores até 40 salários mínimos — pedindo:

  • tutela de urgência para bloqueio imediato dos valores;
  • restituição integral da quantia transferida;
  • anulação de empréstimos contratados durante a fraude;
  • indenização por danos morais, quando houver negativação ou abalo relevante.

5. Como se proteger daqui para frente

  • Ative limites baixos para PIX noturno e valor máximo por transação;
  • Nunca confirme dados por link recebido em SMS ou WhatsApp;
  • Confirme por ligação qualquer pedido de dinheiro de conhecidos;
  • Cadastre a biometria e a verificação em duas etapas do aplicativo bancário.

Resumo

Reverter um PIX é possível: conteste no mesmo dia, exija o protocolo do MED, registre o B.O. e reúna as provas. Se o banco negar, a via judicial costuma ser eficaz, sobretudo quando há falha de segurança da instituição.